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NO dia em que foi anunciada a venda de Anderson ao Manchester United, recebi pelo correio a carta anual convidando-me a renovar o meu lugar no Dragão, com a promessa de mais um ano de grandes espectáculos. Mas, sem Anderson em campo — e, provavelmente, sem Quaresma ou Pepe — o lugar passa a valer bem menos. Terça-feira passada, o FC Porto vendeu a maior fonte potencial de espectáculo e o mais promissor talento que passou por lá na última década. Vendeu-o, sem sequer ter chegado a tirar partido dele e do seu talento — 18 jogos na Liga e mais três na Liga dos Campeões.
Toda a gente diz que Anderson foi muito bem vendido e que por 30 milhões não há como recusar. Permito-me discordar: 30 milhões de euros é, de facto, muito dinheiro. Em termos de tesouraria é um grande negócio; em termos económicos é um mau negócio. Para começar, e como já disse, o FC Porto vendeu-o sem ter chegado a tirar partido dele. Depois, tem 19 anos, acabados de fazer, e prepara-se para jogar a Copa América — as duas coisas juntas, a prazo, fariam subir muito mais a sua cotação. Não tenho qualquer dúvida de que, se as coisas se passarem normalmente, se em Inglaterra não houver Katsouranis nem Lucílios Baptistas, se o próprio Anderson continuar a ser o miúdo ajuizado e profissional que é, ele pode vir a revelar-se como um jogador verdadeiramente espantoso. Os 30 milhões parecem-me pouco para tantas esperanças nele depositadas. Mas o pior é que os 30 milhões, contas feitas, são bem menos. São praticamente zero. Vejamos.
Dos 30 milhões, o FC Porto só tem direito a 80 por cento — 24 milhões. A estes, tem de subtrair a comissão de Jorge Mendes: 5 por cento no mínimo, 1,2 milhões. A este montante tem de subtrair ainda os 10 milhões que pagou por 80 por cento do seu passe, mais os cerca de 1,8 milhões que gastou a mantê-lo durante dois anos e à mãe, que foi contratada pelo clube, para contornar a proibição de poder comprar um jogador com menos de 18 anos: restam 11 milhões. Destes, é natural que gaste metade em reforços, para colmatar a sua baixa, acrescida, ao que parece, à de Ibson, num sector — o meio-campo — fragilizado, mesmo com eles. Restam 5,5 milhões, que representam uma fase na Liga dos Campeões — provavelmente aquela que o FC Porto deixará de alcançar pelo facto de já não contar com Anderson. A esta luz, entre abatimentos e lucros cessantes, Anderson foi vendido a custo zero. Nada a ver com o negócio de Nani, que não custou nada ao Sporting.
É claro, porém, que os raciocínios económicos não são aplicáveis a um clube que apresentou 30 milhões de prejuízo no último exercício e que este ano vai a caminho dos 25 milhões. Era vender ou falir. Mas esse é o problema de fundo da gestão da SAD do FC Porto, que deveria ter sido discutido na campanha eleitoral e não o foi. Há anos que a SAD vive a vender os anéis de diamantes para comprar cachuchos. Vende uma pérola fina por 30 milhões e depois gasta-os a comprar uma dúzia de falsos brilhantes. Para quê? Ora, já não restam dúvidas a ninguém: para pagar comissões a muita e boa gente que parasita no clube. Para que queremos um Lino, para uma posição onde já existem seis jogadores sob contrato? Para quê ir recomprar um guarda-redes banal, como o Nuno, quando temos lá melhor, que vamos emprestar? Para quê o Renteria, o Mareque, o Sonkaya, o Pittbul, o Tarik, o Leo Lima, o Sokota (que, afinal, custou 3 milhões de euros, pagos a uma off-shore)? Para quê 70 jogadores sob contrato? Porquê não haver ninguém promovido dos juniores? Porque deixou de haver olheiros e só há comissionistas? Porque não há prospecção em África — porque é mais agradável ir ao Rio ou a Buenos Aires? Porquê o FC Porto, ao contrário até de grandes clubes europeus, nunca adquire jogadores por empréstimo, para testá-los, e os adquire sempre com contratos definitivos e a longo prazo, acabando a emprestá-los ao fim de um ano? Porquê até para ir buscar Jesualdo Ferreira ali ao lado é preciso recorrer aos serviços de um empresário sul-americano? E, já agora, admite-se que um dos administradores da SAD tenha um irmão que faz negócios com o clube? E admite-se que uma SAD que todos os anos regista prejuízos de exploração e tem acumulado um passivo assustador, aproveite o único ano em que conseguiu obter lucros — graças a Mourinho e à Liga dos Campeões — para distribuir prémios de gestão aos administradores?
Há dias, Santos Neves tinha aqui um texto muito curioso, em que fazia contas aos milhões encaixados pela SAD do FC Porto com a venda de jogadores, desde que, há três anos, foram campeões europeus. Contabilizando todas as vendas, a dispersão integral da equipa campeã europeia, Santos Neves chegava à fantástica soma de 155 milhões de euros de vendas. E esqueceu-se, ainda, de acrescentar ao rol de jogadores que enumerava, os nomes de Diego, McCarthy, Hugo Almeida e Carlos Alberto (que grande jogador desperdiçado!). Com mais esses, o número chega perto dos 175 milhões de vendas conseguidas em três anos. Trinta e cinco milhões de contos! Para onde foi todo esse dinheiro se, no final de um ano normal, sem nenhuma compra relevante, a SAD consegue apresentar prejuízos de 30 milhões? Para onde foi? Eis o que eu gostaria de ver Pinto da Costa explicar.
E para onde vai agora o dinheiro da venda de Anderson? Se nos dissessem que vai para reduzir o passivo, ainda o podíamos perceber — embora continuando sem perceber como se acumularam tantas dívidas. Mas já sabemos que não é para aí que o dinheiro vai. Vai para comprar mais uns Renterias e Mareques, com contratos por cinco anos e ordenados de 50 mil euros, e que para o ano estarão a ser emprestados, com o FC Porto a pagar os ordenados para que eles joguem pela concorrência. Esta é que é a penosa verdade e muitos começam já a percebê-la. Por isso é que, com 50.000 pessoas no Dragão para o jogo do título e as urnas de voto dentro do estádio, apenas 3700 sócios se deram ao trabalho de votar na recondução do actual estado de coisas. É certo que — e graças a Jorge Mendes — ainda se vão descobrindo, de quando em vez, uns Andersons, que fazem manter viva a chama da esperança. Mas os efeitos úteis das suas contratações são rapidamente desperdiçados pela necessidade de tapar os buracos abertos por uma política suicida e nova-rica de contratações, que todos os anos se repete desgraçadamente nesta altura.
ferdi a 5 Junho 2007 - 9:32 mau artigo Ora aqui está o tal artigo. Ainda há cinco minutos o tinha pedido, porque não inha reparado nos ARTIGOS MAIS VISTOS...que por sinal, sou eu o primeiro!
Cadê os outros que na semana passado malharam neste Viriato? Não agrada este arroto semanal que o Talibam escreve na A BOLA?
O qe acho mais piada no artigo é: "Custo zero" do SOKOTA foram só 3 milhões!!! Ai estes andrades que é só riso!!!
Eu sou um admirador do MST mas quando escreve sobre futebol e gestão diz(tal como outros jornalistas sem formação em gestão) algumas enormidades inaceitáveis. Deficit e passivo (remunerado), vendas e recebimentos, prejuízos e pagamentos são realidades completamente distintas. Para não discutir aqui termos técnicos prefiro falar de futebol e de gestão. Concordo que possa haver alguma má gestão subjacente a interesses privados (comissões, ordenados excessivos de administradores e jogadores, favorecimento de empresários, etc) e a escolha de jogadores errados, mas e os aspectos positivos da gestão? E os títulos conquistados? O que ganha e quem é que consegue vender o SLB? O que é que tem ganho o SCP com a sua política de rigor? Nem à taça UEFA passou. Foi por acaso? E onde é que está o dinheiro da venda de Cristiano Ronaldo, Quaresma, Hugo Viana, etc, etc? Gestão danosa com interesses privados? Não me parece! O que acontece é que o futebol é um "negócio" altamente deficitário, salvo em caso de orçamentos muito limitados (com potencial de triunfos também limitado) ou com garantia de um montante muito elevado de receitas (que, em Portugal, é impensável mesmo para o clube dos 6 milhões). O orçamento do FCP não está só associado a salários de jogadores. O FCP tem uma infraestrutura organizacional muito pesada, mas é assim que, misturado com alguns insucessos, se descobrem Andersons e Lisandros. Eu lembro-me que no final do ano "mau" de 2004-05 (em que apenas!!!! se ganhou uma supertaça e uma taça intercontinental!!!), cronistas falavam das más compras do FCP que incluiam (e bem) Areias, Léo Lima e outros, mas também Pepe, Raúl Meireles, Assunção (foi mal emprestado pelo idiota do Del Neri), Quaresma (sim, diziam que não era jogador de equipa e à FCP!!), Diego (não se adaptou, mas para um futebol como o Alemão com muitos espaços é muito bom!), Luis Fabiano (não se adaptou, não foi feliz mas que é excelente jogador está à vista agora no Sevilha), etc etc. É necessário evitar más compras do tipo Mareque e Ezequias (eu acho que citar o Renteria é talvez um abuso, no final de 2007-2008 se verá se sim ou não!), mas até o Mourinho se engana (Marco Ferreira, e outros no FCP, Shevas e outros no Chelsea), mas no meio desses também vêm Luchos, Lisandros, Andersons e outros de grande valor. O IMPORTANTE É CONTINUAR A GANHAR TÍTULOS E NÃO COMETER LOUCURAS. APOIEM O CLUBE, CRITIQUEM SIM, MAS COM SELECTIVIDADE E RIGOR. VIVA O FCP!
Caro Sr Luis Pacheco
Aplaudo a sua opinião e comungo em absuloto com ela. O Miguel S. Tavares, desde há muito tempo, tem reconhecidamente uma antipatia com Pinto da Costa. E´assunto velho, e comhecido por todos.
Fácil se torna, tecer argumentos de EngªFinanceira, quando se está de fora.
No entanto, gosto de o ler, mas algumas que não muitas, estou em desacordo com ele. Recordo-me que há anos, no período da Regionalização o Miguel defendia com unhas e dentes que a Região mais rica era e (É) Lisboa, não dando o braço a torcer à evidência que esse facto "se deve" em parte, à grande maioria das grandes empresas, estarem sediadas em Lisboa. Exemplo,eu que vivo no Porto, desconto para a Seg.Social de Lisboa, pois a empresa onde trabalho já há muitos anos,aí tem sede.Resumindo a riqueza do meu contributo é debitada a Lisboa. Isto foi um pequeno exemplo, de pontos de vista diferentes, entre o Miguel Jornalista e o Leitor, apesar de abraçarmos o mesmo clube.
A semana passada o Miguel escreveu a sua crónica na Bola que até a guardei para memória futura.Assinaria por baixo essa crónica, hoje,dia 5 de Junho a crónica será talvez subscrita, por alguns adeptos adversários do FCPorto.
Cumprimentos,
FTavares
Simplesmente brilhante!
Gestão danosa sim. Muito interesse privado. Alguém imagina que o Miguel Sousa Tavares viria a terreiro escrever este e outros artigos de opinião sem estar devidamente "calçado"? Não sejam ingénuos meus caros. Ele sabe do que fala com certeza. Aliás, aquilo que ele sabe daria para escrever muito mais. Mas não é um conhecimento oculto e inacessível não! Basta frequentar ou ter contactos em determinados “espaços” da invicta e não só, para qualquer comum mortal ficar a saber das maracutaias – leia-se negócio fraudulentos, negociatas.
PS. Ninguém é mais portista do que eu. Apenas deixei de pagar cotas faz algum tempo. Para esse "peditório" não!
Alguns utilizadores deveriam se preocupar com os seus telhados que tem vidro por todo lado, antes de virem aqui atirar pedra no telhado dos outros.
Custo zero do SOKOTA foram só e apenas 3 milhões!!! Nada como uma boa notícia destas, para se ter um fim de tarde com TRANQUILIDADE!!!
Gostaria de saber porque razão alguns posts, "ultrapassam" outros, mesmo tendo sido colocados posteriormente!
Parece-me que temos utilizadores de primeira e utilizadores de segunda. Ou melhor uns são os Directores Editoriais, e os outros os simples utilizadores?
Estarei errado?
PS. se não voltar a surgir posts, comentários meus por aqui, provavelmente o user pedromatias foi bloqueado
Segundo penso é porque uns são inseridos como resposta directa a determinado user e aí aparece logo a seguir ao comentário desse user, independentemente da hora.
Se for comentar a noticia só por comentar aparece no lugar normal. Será que me fiz entender?
Ou seja, se for a esta minha resposta e clicar no responder, virá que, a sua resposta surgirá junto à minha.
Se só comentar, aparecerá mais à frente, até possivelmente a seguir a outros.
saudações desportivas e leais.
A semana passada o fanático Taliban só falava verdade, daquels verdades, mesmo, mesmo, mesmo, verdaderas.
Esta semana, já há dúvidas? O homem mudou assim tanto numa semana!
Sr. MAC isso de fanatismo e fundamentalismo, é a sua democratíssima opinião.
A minha, em relação a fanatismos e outras coisas mais terminadas em ismos, vai mais para o seu clube dos andrades. Como vê marquei o golo do empate!!!
O Conselho de Administração da FC Porto – Futebol, SAD informa o seguinte:
"O acordo de cedência dos direitos desportivos de Anderson ao Manchester United não envolveu qualquer intermediário, foi tratado directamente entre clubes, pelo que não implicará o pagamento de qualquer comissão. Por outro lado, a contratação do técnico Jesualdo Ferreira, no arranque da temporada 2006/07, foi concretizada após negociações directas entre as administrações da FC Porto, SAD e da Boavista, SAD e sem recurso aos serviços de qualquer intermediário".
Ao Conselho de Adm. da FCPORTO-SAD, se lhe perguntarem se o Pinto da Costa tem haver alguma coisa com o Apito Dourado, tenho a certeza que dirá...não!!!
Alguns meses depois, Anderson a maior venda do defeso na Europa é suplente do MU, FCPorto abate o passivo com vendas e investe em jovens jogadores como Stepanov e Lima, nomeado para jovem do Ano 2008 pela CBF.
PINTO DA COSTA SABE MAIS DO QUE TODOS OS VIRIATOS E AFINS JUNTOS DESTE PAIS. AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH...
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