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Miguel Sousa Tavares - O que se sofre de longe!

As últimas semanas foram um calvário para um portista de todos os dias, como eu. Ausente onde nem sequer a televisão portuguesa chega, falhei sucessivamente o FC Porto-Leixões, Chelsea-FC Porto, Braga-FC Porto e FC Porto-Sporting. Quatro jogos, de que a única coisa que soube foi o resultado final. No mais, limitei-me a tentar adivinhar, a antecipar o onze e a forma como a equipa se portaria e a desejar a notícia de uma vitória no final. O saldo acabou em duas vitórias e duas derrotas e, como sempre e absurdamente me acontece, invadiu-me o remorso de ter estado ausente, acreditando que, se aqui estivesse, não teríamos perdido dois jogos.

O black-out total só foi rompido uma vez, no jogo de Stamford Bridge, em que consegui aceder a um site inglês que ia relatando o jogo em tempo praticamente real, mas sem direito a quaisquer imagens. Mais valia que não o tivesse conseguido: é que bastou-me ver a equipa que Jesualdo Ferreira tinha escolhido para iniciar o jogo, para ficar logo mal-disposto.

Uma vez mais (e já aqui escrevi tantas vezes sobre isso!), Jesualdo Ferreira não fugiu ao comportamento típico do treinador português no momento de enfrentar um desafio europeu que surge como maior do que a aparente capacidade da equipa: mudar tudo o que é habitual e está treinado e rotinado, para reforçar a defesa e o meio-campo e enfraquecer o ataque, na esperança que do céu caia um empatezinho a zero. E, todavia, ele já adquiriu suficiente experiência internacional à frente dos dragões para que lhe seja exigível um comportamento menos provinciano e menos medroso. Aliás, na véspera, Jesualdo Ferreira, ao comentar o triste histórico dos jogos do FC Porto em Inglaterra para as competições europeias (13 jogos, 2 empates e 11 derrotas), tinha dito que algum dia o FC Porto acabaria por ganhar um jogo, quando tivesse attitude para isso, e prometendo que, pelo seu lado, nada iria mudar na forma habitual de jogar da equipa, apesar de ir ter pela frente a que ele considerava a melhor equipa inglesa do momento.

Afinal, tudo aconteceu ao contrário. Pelo que li nas crónicas subsequentes e nos próprios comentários do site inglês, o Chelsea que o FC Porto enfrentou está longe de estar em forma e, desfalcado de Drogba, mostrou-se um adversário perfeitamente ao alcance, pelo menos de um empate — assim houvesse coragem para o enfrentar olhos nos olhos. Logo aí, Jesualdo mostrou que tinha o adversário mal estudado e que os seus temores tinham mais que ver com o passado do que com o presente.

Depois (meu Deus!), o homem que tinha prometido nada mudar na equipa, fez só isto: num dos flancos de ataque tirou a boa surpresa desta época, Silvestre Varela, para entregar o lugar ao seu fiasco de estimação — Mariano González — assim preferindo um peso-morto a um desequilibrador nato. E, para rematar em beleza (numa equipa cuja grande dificuldade tem sido conseguir marcar golos), tira o ponta-de-lança Falcao, preferindo, à boa maneira dos treinadores portugueses, «reforçar o meio-campo», com o trapalhão do Guarín (que, desde que chegou ao FC Porto apenas fez um jogo conseguido, contra uma equipa dos distritais, para a Taça). Ou seja, Jesualdo tratou, logo à partida, de mostrar que estava borrado de medo do Chelsea e, como era inevitável, transmitiu esse medo à equipa, que jogou todo o primeiro tempo entricheirada atrás dos escudos, como uma corte romana enfrentando um exército de bárbaros muito superior. E, claro, aconteceu o que sempre acontece quando se joga para o zero-zero, com medo do adversário: num golpe fortuito, o Chelsea chegou ao golo e só então é que Jesualdo, perdido por cem, perdido por mil, desfez os erros cometidos de entrada e soltou os cavalos para que o FC Porto corresse atrás do prejuízo e da sorte. Mas está escrito, está escrito desde há muito, que a sorte só ajuda os audazes, não os medrosos. O FC Porto perdeu em Londres porque o seu treinador teve medo de tentar ganhar. Esta história já é antiga e já começa a fartar. Não que seja justo exigir que o FC Porto vá jogar fora com os colossos ingleses, com um orçamento infinitamente mais elástico, e se bata sempre de igual para igual. Mas é justo exigir que o seu treinador não se coloque à partida numa atitude de submissão e temor, auto-diminuindo a capacidade da equipa para conseguir uma proeza. E, como já vi esta história escrita várias vezes, pergunto: digam-me quando é que esta fabulosa estratégia lusa de tirar avançados e reforçar o meio-campo, em jogos de dificuldade maior, deu resultados? Quando?

A seguir — ao que li e ao que me contaram — tanto em Braga, como depois contra o Sporting, o FC Porto acusou sobremaneira o cansaço do onze mais utilizado, perdendo o primeiro jogo e ganhando periclitantemente o segundo. E aí chegamos a um outro problema, que já vem da época passada e que aparentemente se repete este ano, apesar de mais onze reforços comprados no mercado de Verão, toda uma equipa: Jesualdo não dispõe de suplentes, não apenas ao nível dos titulares habituais, mas ao nível exigível para suplentes de uma equipa que disputa a Champions e o penta-campeonato. Com tantos e tantos jogadores de categoria por aí emprestados ou dispensados de borla, olha-se para o banco do FC Porto e suspira-se de impotência. E amanhã, num jogo que é absolutamente necessário vencer contra o Atlético de Madrid, e com as baixas de Fernando, Varela e Rodriguéz, adivinhem quem é que Jesualdo Ferreita tem para os substituir? Guarín, Mariano e Farías. Um trio que mete medo!

Vale ao FC Porto que o Atlético de Madrid atravessa um péssimo momento, de resultados e exibições, e que conseguiu até a proeza de empatar a zero, em casa, contra o Apoel de Chipre — os tais que, em tempos idos, encaixaram 16-0 do Sporting, em Alvalade. Mesmo assim, e desfalcado daqueles três, com Raul Meireles a arrastar-se, segundo rezam as crónicas (e que mal reforçado que foi o meio-campo, que tanto precisava de bons reforços, ainda mais depois da saída de Lucho!), o grande problema amanhã vai ser o habitual: construir jogadas para golo. Mas tenhamos fé, porque a vontade de vencer e o espírito de conquista, esses, felizmente, nunca morrem por ali.

E é bom estar de volta e poder seguir intimamente o meu FC Porto. Mas não só: também estou muito curioso de ver, porque ainda não vi, o novo Benfica, que dizem transfigurado, uma máquina de futebol e golos, apontada a uma vitória certa entre muros. E também a surpresa deste início de campeonato (todos os anos há uma, que rapidamente se esfuma…): o Sportingt de Braga. Quero ver com os meus olhos se as tais seis vitórias a abrir são fruto do mérito, da sorte, das circunstâncias ou de tudo um pouco. Este ano chego atrasado, mas espero bem que ainda muito a tempo de ver o melhor da época. E isso inclui a qualificação da Selecção para a África do Sul.

Autor:
Retrato de ferdiferdi a 29 Setembro 2009 - 11:40 mau artigo
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5 Comentários
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Retrato de Cavaleiro
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Deves ter um fetiche co mst,vai-te mas é foder..!

Abraço e liga-me se fores amanha.!

SD

Retrato de Cavaleiro

Não era minha intenção ferir tão nobres susceptibilidades,mas sim "cumprimentar" um amigo de outras bancadas.!

SD

Retrato de Bicho

É por estas e por outras que eu digo que o Tavares é Chico-Esperto.

A última vez que vi o Porto ser ousado em Inglaterra foi em Anfield Road. Estava o Porto a jogar bem e a perder 1-0 contra o Liverpool, partiu com agressividade para o ataque e levou 4.

O Jesualdo que é um homem inteligente (pelo menos tem dias) aprendeu uma lição, a ousadia nestes palcos paga-se muito caro. Tenho pena é de não ter a crónica do Tavares desse jogo, certamente que utilizando outros argumentos crucificou o Jesualdo.

Quanto a essa do Chelsea estar desfalcado nem sei se hei-de rir ou chorar !

Quanto ao Mariano "peso-morto" esse homem que se lembre que foi o "peso-morto" que empatou o jogo em Old Trafford !

Quanto ao Guarin "trapalhão" é uma tirada à Rui Santos, é trapalhão aos Sábados e artista às Quartas Feiras !!!!! Quem te manda a ti sapateiro...

Depois disto vem o disparate do costume, o Porto compra mal. Então em que é que ficamos Beluschi, Falcão, Valeri, Alvaro Pereira são bons ou maus, já não percebo nada !

"Guarin Mariano e Farias, um trio que mete medo" Se o Jesualdo se der ao trabalho de lêr esta sumidade, pode ser que para o ano encomende ao Antero Henrique o trio Kaká, Ronaldo e Messi !!!!!! Este MST vive em que planeta ?

O Tavares é assim, uma no cravo outra na ferradura, é pena porque até é um tipo que escreve bem, pena é que ache que dizer mal a torto e a direito seja a condição para se valorar no mercado dos comentadeiros !

"que el andar a caballo a unos hace caballeros, a otros caballerizos"

Cervantes

Retrato de Cavaleiro

O filme pode ter muitas voltas e varios desdobramentos, mas ao fim de 525 paginas o "artista" mata-se..!

SD

Retrato de lupi

MST esquece-se que o seu FCP, assim como os outros clubes que jogam na Europa, têm que rodar os jogadores, porque poucos dias antes e poucos dias depois de um jogo europeu, têm jogos do campeonato que é preciso ganhar.

Jorge Jesus tem feito o mesmo, como antes Mourinho no FCP.

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