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A incrível justiça desportiva
O jogador de futebol Lisandro, que jogou no F.C. Porto, entrou para a
história do futebol português por ser, até hoje, o único futebolista
castigado por simular uma falta passível de grande penalidade.
Há quase um ano, num jogo com o Benfica, o jogador foi punido e,
agora, já Lisandro joga em França há meio ano, o Conselho de Justiça
da FPF validou a decisão da comissão disciplinar da Liga.
Que um jogador seja punido por simular uma falta parece normal.
Anormal é que só um tenha sido punido. Mas a justiça desportiva
portuguesa está cheia de anomalias que, por sinal, têm o F. C. Porto
como protagonista ou, mais bem dito, como alvo.
Anteontem, por exemplo, os jogadores Hulk e Sapunaru foram ouvidos na Liga.
Os dois jogadores estão suspensos preventivamente desde o jogo
com Benfica, no fim--de-semana anterior ao Natal. Alegadamente, terão
agredido "stewards" no túnel de acesso aos balneários.
Atente-se nisto:
- A presença de "stewards" no dito túnel é proibida pelos
regulamentos. Ninguém sabe porque lá estavam, mas, estando eles lá, é preciso saber quem os lá pôs e para quê, até porque ninguém acredita que os jogadores os tenham confundido com bonecos e descarregado neles o desgosto com a derrota.
Ou estavam lá e provocaram os jogadores? Parece mais crível esta hipótese, não é?
- Por esses alegados incidentes estão os jogadores suspensos
preventivamente e assim poderão estar por três meses. Cabe na cabeça
de alguém que a justiça desportiva puna de forma mais severa uma falta cometida na escuridão dos túneis do que em pleno relvado?
- E cabe na cabeça de alguém que sendo os jogadores chamados a depor -como foram na sexta-feira - não lhes seja mostrado o filme que
supostamente sustenta a tese das agressões?
- Os jogadores foram ouvidos já depois de concluído o prazo de
instrução do processo e, pelo andar da carruagem, tudo indica que
urgência é palavra que os membros da comissão disciplinar da Liga
desconhecem. A quem aproveita tal lentidão?
Os portistas têm razões de sobra para desconfiar. Bem recentemente, o
caso do Apito Dourado, envolvendo Pinto da Costa, foi o que foi. Na
justiça comum, o presidente portista está livre e sem que se tenham
provado as acusações. A justiça desportiva ainda anda às voltas. Como
há dias escrevia Miguel Sousa Tavares em "A Bola", "é uma chatice que
a justiça comum tarde em render-se à campanha de moralização do
futebol português, tão exemplarmente encabeçada pelo exemplar Sr.
Vieira".
In JN
joao amaral a 11 Janeiro 2010 - 10:26 mau artigo
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